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“É BONITO PORQUE É MODA, MAS É PROTESTO”: UMA ETNOGRAFIA SOBRE O MOVIMENTO FASHION REVOLUTION EM PORTO ALEGRE (2019)

Dissertação de Mestrado em Processos e Manifestações Culturais Orientação: Sandra Portella Montardo Coorientação: Ana Luísa Carvalho da Rocha

Anaclara Toscano de Britto Machado

RESUMO:

O tema desta pesquisa aborda a atuação do movimento Fashion Revolution no Brasil e delimita- se na articulação entre as ações online e offline da organização para a celebração do Fashion Revolution Day 2018 no país. Atualmente, o FR é considerado o maior movimento de ativismo na Moda, atuando em mais de cem países. Nesse cenário, o Brasil detém grande expressividade no ranking mundial de interações do movimento, totalizando 19% das postagens mundiais no ano de 2017, das quais 40% são do Estado do Rio Grande do Sul. Para compreender como, por meio de seus canais digitais, o movimento é capaz de articular globalmente ações locais de eventos presenciais, questiona-se: de que maneiras o uso das plataformas digitais estabelece relações online e offline entre o movimento Fashion Revolution e seus voluntários no Brasil? Assim, como objetivo geral, pretende-se investigar a articulação das relações online e offline entre o movimento Fashion Revolution e seus voluntários no país. Especificamente, este estudo tem como objetivos realizar um estudo etnográfico do Fashion Revolution Day e demais ações da Fashion Revolution Week na cidade de Porto Alegre, para identificar os principais atores do movimento; observar como ações executadas por meio das plataformas digitais e em eventos presenciais estabelecem relações entre o movimento e seus voluntários e permitem identificar outros temas emergentes resultantes desse processo; e compreender como as dinâmicas empreendidas nestes canais permitem que esta comunidade se articule nos meios online e offline. Na prática, descobri que as plataformas não estavam tão presentes na rotina de atuação das voluntárias do Fashion Revolution em Porto Alegre como imaginei. Contudo, é possível afirmar que a premissa de suas estruturas de fato direciona o tipo de uso que elas fazem desses canais com seus perfis pessoais, uma vez que não existe uma página específica do comitê local para uso deliberado da equipe. De toda forma, o ambiente digital é extremamente pertinente e relevante para as voluntárias quando é preciso comunicar e articular ações online e offline, ainda que seu uso seja limitado no que se refere atingir certos grupos sociais. É possível que a escolha das plataformas reflita o sucesso do Fashion Revolution em nível global. Mas reitero que a percepção que tive com relação ao contexto cultural do Brasil apresenta um cenário diferente, em que muitos podem interpretar o próprio uso dessas plataformas como elitistFashion Revolution. Slow Fashion.